Mostrando postagens com marcador a ironia move o mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador a ironia move o mundo. Mostrar todas as postagens

14 de dez. de 2011

De bois, boiadas e confrontos

Mais forte que o trabalho de evitar confrontos é o trabalho de não perdê-los.


Foto minha do Campo Pequeno, arena de touradas em Lisboa.
Se você procurar por imagens com as palavras chave "bull"
(boi, mas também touro)  e "fight" (luta, briga),
só encontra touradas...

Uma mulher baixinha de longos cabelos ondulados fez-me um favor hoje. Me lembrou do ditado "Dou um boi para não entrar numa briga, mas uma boiada para não sair" ao proferi-lo, com algumas variações, para sua colega.

Ouvir o dito me desencadeou uma busca por algumas respostas. Já ouvi alguém dizer o oposto disso? Do mesmo jeito que há pessoas proclamando que se arrependem do que fizeram ou do que não fizeram. E... o que seria o oposto do jargão do boi/boiada? Não consegui chegar a uma conclusão quanto a esse oposto, tampouco em alguém que não partilhasse da ideia em questão. Isso foi, para mim, um indício de que o ditado cumpre seu papel de chamar atenção para algo inegável mas não tão claro (talvez ficasse melhor como "Paga-se" ao invés de "Pago").

Então... por que as pessoas agem assim? As pessoas têm medo umas das outras, medo de agressões ou ferimentos físicos ou psicológicos, etc., por isso agem cordialmente, socialmente, evitando brigas e confrontos a um preço alto. Isso é bom para todo mundo. Mas as pessoas têm medo de confrontos porque não querem perder confrontos. Então, mais forte que o trabalho de evitar confrontos é o trabalho de não perder confrontos, para que seja mantida a auto-imagem projetada no que é alheio.

Aí chego onde quero: o ditado é uma forma de contar vantagem, de inflar o peito, eriçar as plumas, mostrar as garras. Um aviso: não entre em confronto comigo porque eu me cago de medo de perder o confronto, o que quer que seja.

24 de jun. de 2010

Festas juninas

Vi uma reportagem sobre as festas nordestinas
de São João. Havia umas senhoritas reclamando que
as vestes típicas atrapalhavam a paquera delas,
que as deixava gordas. Bom, não sei se eram exatamente
as vestes típicas ou as toneladas de paçoca que
as tiram do peso ideal.

9 de jun. de 2009

De Dr. Atkins

Tive a honra de almoçar em mesa próxima àquela onde duas senhorit(on)as faziam sua refeição do meio do dia segundo prescreve a dieta das proteínas, aquela que (dizem) matou seu inventor, Dr. Atkins*. A vontade de rir que o espetáculo me inspirou só não foi maior que a dó.

As duas pediram, cada uma, bife a milanesa e um omelete. Pediram também uma porção de fritas. A maiorzinha também serviu-se de um copo de suco de abacaxi, com açúcar, claro.

Segundo comentaram entre si as moças, a dieta das proteínas não permite o consumo de carboidratos. Ah, que bom que a farinha de rosca não é carboidrato. Que bom que omelete não tem carboidrato. Que bom que o açúcar do suco não tem carboidrato. E que bom que a batata-frita não tem nadinha de carboidrato...

Fico imaginando se elas acham mesmo que comer toda essa fritura é dieta, se dar esse nome para essa orgia lipo-calórica acalma suas consciências pesadas.

Mas não quero ser taxativo. Não quero afirmar que a matemática de ingestão de calorias, por menos hidrato de carbono que elas consumam, continua pendendo contra elas sem colocar a última consideração, de que aquele físico de mortadela não ajuda a imaginar aquelas morsas fazendo uma suave caminhada no Parque Tiquatira. Fica pra próxima, se o coisa ruim não me fritar no óleo quente do inferno a milanesa antes.

* - O famoso dr. Atkins morreu aos 70 e poucos em 2003 de falência dos órgãos um tempo depois de bater a cabeça no chão em uma escorregada. Os defensores da dieta dizem que seu estilo de vida não teve interferência nisso. De qualquer forma, o IMC do sujeito era 24,8. Seu livro com sua dieta “revolucionária” foi lançado em 72 (veja só que o cara aguentou bastante).

Devia inventar um novo marcador pra essa, muitopesomuitamedida, hehe.

17 de fev. de 2009

De "O que Michael Phelps deveria ter dito"

Como apreciador da ironia, do sarcasmo e da argumentação ácida, trago, apesar de não concordar com o que diz, o texto de um tal Reason.com de O que o Phelps deveria ter dito (de 2/2) quando o pegaram fumando unzinho.

Querida América

Eu respondo. Não me desculpo.

Sabem por quê? Não é da merda da sua conta. Eu malho minha bunda 10 meses por ano. É esse trabalho duro que lhes deu todos aqueles sentimentos de patriotismo no verão passado. Se durante meu breve tempo de descanso eu quero relaxar, curtir, e usar uma substância que é muito menos ruim para mim que álcool, tabaco, ou, francamente, a maioria dos medicamentos prescritos que a maioria de vocês está tomando, vocês podem guardar o sermão pra vocês.

Eu passo por um inferno. Faço meu corpo realizar ocisas que a natureza nunca quis que aguentássemos. Todos atletas de ponta o fazem. Fazemos porque vocês amam assistir nós nos colocarmos nos extremos tanto quando pudermos. Alguns de nós se machucam. Algumas vezes permanentemente. Vocês estão assistindo o Super Bowl hoje. Estão vendo caras de 130 quilos trombarem uns com os outros enquanto correm no máximo, todo empacotados. Sabem qual é a expectativa de vida média de um jogador da Liga Nacional de Football? 55. 20 anos a menos que a média de um jogador de fora da Liga. Ainda assim vocês assietem. E torcem. E pulam e cospem a cerveja quando um linebacker derruba um receptor cruzando seu caminho no meio do campo. Quanto mais forte a pancada, mais alto e entusiasticamente vocês gritam.

Ainda assim vocês surtam quando Ricky Williams, ou eu, ou Josh Howard fumam entorpecente pra relaxar. Por quê? Porque os idiotas que elegeram para fazer suas leis, sem uma neca de provas, enfiaram nas suas cabeças que fumar machonha é algo como beber anti-congelante e que é feito só por hippies sujos e molestadores sexuais.

Perdoem meu cinismo. Isso é abobrinha. Vocês não estão nem aí para a minha saúde. Só têm uma emoção voyerística assistindo atletas de elite cair das graças -- um tanto melhor se puderem exercitar um pouco de retidão moral no processo. E é uma retidão hopócrita nesse ponto, já que 40% de vocês já experimentaram maconha pelo menos uma vez na vida.

Uma ideia louca: se eu posso fumar entorpecente e ganhar 14 medalhas olímpicas, talvez maconheiros não estejam fadados a arruinar suas vidas em sofás e videogames, como o governo mané nos faz acreditar. Na verdade, a lista de maconheiros de sucesso inclui atletas de ponta como eu, Howard, Williams, e outros, inclui ganhadores do Prêmio Nobel, Prêmio Pulitzer, os três últimos presidentes dos Estados Unidos, juízes do Supremo Tribunal, mentes iluminadas e histórias de sucesso em todos setores dos negócios e das artes, ciência e humanidades.

Vão em frente, então. Banam-me das próximas Olimpíadas. Chutem minha argumentação. Empinem seus narizes coletivos e fiquem indignados comigo. Enquanto fazem isso, continuem prendendo pacientes de cancêr e aids que ousam fumar o negócio porque diminui a dor, ou os permite comer. Continuem mandando esquadrões chutarem portas e atirarem em velhinhas, mutilando criancinhas inocentes, apontando armas para algemar velhos pacientes de polio em suas camas, e sacrifiquem o animalzinho da família.

Vou falar. Vou entrar em acordo. Peço desculpas por fumar maconha quando cada político que já usou drogas e que votou por reforçar as leis anti-drogas levar seu traseiro até a prisão federal mais próxima para cumprir a sentença que impõe no resto das pessoas pelos crimes que eles mesmos cometeram. Peço desculpas quando os filhos, filhas e sobrinhos dos políticos poderosos pegos por posse ou tráfico em casa ou na escolinha tenham a mesmo tratamento dos pé-rapados pegos na esquina fazendo a mesma coisa.

Até lá, eu sozinho não faço isso. Fumei maconha. Gostei. Provável que faça de novo. Recuso-me a desculpar-me por isso, porque me desculpando ajudo a perpetuar uma mentira estúpida, essa ideia que o que alguém põe no próprio corpo no seu próprio tempo é da merda da conta do governo. Ou de qualquer um de vocês. Eu não vou me curvar e me permitir ser propaganda dessa guerra ridícula e imoral.

Vá em frente e acabem comigo se quiserem. Mas vamos ver vocês racionalizarem isso no seu próximo comercialzinho do Escritório Nacional de Políticas de Controle de Drogas como o maior filha-da-puta de nadador que o mundo jamais viu... é também um maconheiro orgulhoso.

Michael Phelps

6 de fev. de 2009

Da tentativa de enforcamento

Um texano pirado tentou mandar a namorada direto pro inferno enforcando-a porque ela comeu todo biscoito de chocolate dele. O que o aloprado usou? Um controle de Wii.

Vi na Abril.

Agora tão usando dispositivos wireless em tentativas de enforcamento. Ela caprichou dessa vez. E ainda negam que a ironia move o mundo.

Destaque para as pérolas do texto:

Ao descobrir que a guloseima estava acabada, o jovem partiu para cima de sua namorada enfurecido com a fome de sua cônjuge.
(...)
...Daniel usou a arma que mais facilmente lhe veio a mão...
(...)
Ao que parece, Christina é uma usuária do Wii FIT e conseguiu se desvencilhar do namorado antes de desmaiar por falta de ar.

16 de jan. de 2009

Dos homônimos

Um sujeito da Gestão chama Nome Fictício. O namorado da minha chefe chama Nome Inventado.

Tocou o telefone dela. Ocupada, puxei a ligação. Era Namorado. Vou passar, digo. Toca o telefone dela de novo e dessa vez, ela atende. Oi, , diz. Não entendo -- como pode tocar lá se ele tá aqui. Desligo mesmo assim. Era Gestão.

E agora?

12 de dez. de 2008

Da dislexia

Alguém escreveu por aqui Gilberto Kassabe. Fui comentar com uma coleguinha de trabalho, pelo chat, e perguntei “fiu o e-mail sobre KassabE”. Velha história da trave no próprio olho. E a ironia vai movendo o mundo...

5 de dez. de 2008

De alhos e affairs

Hey, you're having an affair and I'm chopping the garlic. It's a wacky world!
Joey Tribiani, de Friends, para seu pai

14 de nov. de 2008

Da paulistanidade

Acho que já disse isso por aqui, depois checo. Quando você se pega com vontade de ir à praia, é sinal de que já está virando paulistano irremediavelmente.

15 de out. de 2008

Direto do inferno



Ontem fui perguntar a Niels Bohr o que exatamente ele queria dizer com a frase dele, a célebre:

Predição é muito difícil, especialmente se é sobre o futuro.

E ele: “Eu sabia que você viria...”

9 de out. de 2008

Da aptidão

E o PT deu outra mostra de aptidão pra governar a cidade. A respeito de ato que realizam hoje localizaram o Hotel Pestana (rua Tutóia, 77, esquina com Brigadeiro), “entre a avenida Paulista e o Parque do Ibirapuera”, um trechinho muito pequeno da cidade.

That's pinpointing...

2 de set. de 2008

A ironia move o mundo

Ouvi dizer que ironia é dizer o oposto. O oposto do que se quer.... dizer. Da Perry Bible Fellowship:

1 de set. de 2008

Cientologia e Carlin

Como a ironia move o mundo, na página de citações de Carlin (um notório e notável crítico da religião), a que divulguei no último post, a publicidade (pelo menos para mim) era sobre cientologia.

De quebra, outra página de quotings.

28 de ago. de 2008

Visão

Nas ruas calçadas do centro de São Paulo
Alguns dizem da vida só o que ela é
Ótica-ótica-ótica-ótica-ótica-ótica-ótica...

26 de ago. de 2008

De celulares

Que os celulares estão cada vez mais descartáveis, levando ao pé da letra as cruéis leis do capitalismo selvagem, não preciso dizer.

O aparelho do namorado da minha chefe tá quebradinho. Desliga sozinho. Pára de pegar. Essas coisas. Não bastasse, o cabra senta em cima do bixo às vezes. Resolve que quer comprar um novo.

A chefa também quer comprar um. Palm, com internet, essas coisas. Liga pra ele pra combinar onde vão se encontrar para irem juntos.

Mas o celular dele, óbvio, não pega...

19 de ago. de 2008

De estereótipo e ironia

Gregos a parte, é uma ironia sem tamanho que “estereótipo” seja uma das palavras mais estereotipadas que existe.

7 de ago. de 2008

Poeeraaaa

Seguindo o tema olímpico...

O técnico de outro ciclista, esse galego e com problemas respiratórios, atende pelo sobrenome Poeira. A ironia move o mundo.

15 de abr. de 2003

Defina ironia. Um bando de fugitivos cantando Sweet home alabama num avião - os caras do Lynard Skynard morreram num desastre, a múscia é deles - segundo o Rockout de Armagedoon em Con Air (não lembro o nome dele em Con Air).

correção (15/08/2008): Steve Buscemi, o ator em questão, faz Garland “The Marietta Mangler” Greene em Con air.

Tem outra coisa bem irônica. Tava conversando c'a minha mãe sobre problemas em uniões de famílias com costumes e idéias diferentes, e o preconceito que pode acontecer. Aí, logo depois a gente viu Casamento Grego. O filme fala justamente disso. Até que é legalzinho; mostra bastante os costumes gregos e como eles são parecidos com os da outra galera do Mediterrâneo - os italianos e espanhóis (a múscia é um intermediário entre a destes e a turca ou árabe); fala também de lutar pelos seus interesses e por mudanças, enfrentando a quem for (no caso, a família da moça), porque “nos mostrarem onde morar e o que comer não é vida”; comedinha com uma ou outra piada boa, mais ou menos, mais bonitinha.

Ah, aquela histórinha do Ígol não vai mas rodar por aqui também, vai sair noutro blog, quando tiver pronta eu aviso.

Esses dias, eu fiz uma letra:

E se for pra ser assim, eu não me entendo
Porque tudo que eu já quis esquecer volta a me aterrorizar
Por que tudo que chega ao fim volta ao começo
Por que nada vai acontecer, nem se completar

E se muda a noite pro dia
Por que tudo continua escuro
Ah, o que eu não faria
Pra consetar meu futuro

Sabe que é ruim se eu não te entendo
Tudo que eu queira saber, como vou perguntar
Por que tudo chega ao fim sem um começo
Nada vai acontecer até eu mudar

E tem um refrão que eu não gostei muito:
E vai tudo mudar, pra quê tudo mudar
Mudanças vão escurecer minha vista
E vai tudo mudar, e onde eu vou estar
As coisas vão mudar, por mais que eu insita
Em mantê-las como são... Manter-me como sou...

Falem o que acharam, blz? Pode ser no mail: hbgarcia@clubinter.com.br ou mr_starr@brasnet.com.br, ou qualquer jeito.