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15 de dez. de 2011

Do Laurie, do House e do Lang

Se as pessoas não se amam, quer dizer que se odeiam?

Aí você vai na livraria e compra o livro do Hugh Laurie. A edição que tem uma foto enorme do autor tá mais barata. Aí você lê no metrô.

Aí você acha que o Thomas Lang é o Gregory House, mas não é. E você sabia disso. Depois você soube que o Lang veio ao mundo em 1996. E o House, quase dez anos depois. Mesmo porque nem o Laurie é o House, proque o Lang seria?



Mas as pessoas que o veem lendo no metrô, lendo aquele livro com aquela cara enorme do House, não sabem. Mesmo porque, se o Laurie é o House, porque o cara do livro não seria?

Aí elas acham que você tá lendo um livro do House sobre o House.

E as pessoas que o veem lendo no metrô, dá pra ver na cara delas, acham que você queria ser um ass como o House. Ass é uma palavra inglesa que significa bunda. Também significa imbecil quando o imbecil em questão é um pulha, biltre, crápula, inescrupuloso e sem coração, mas não propriamente burro.

E elas também queriam ser asses como o House. Todo mundo quer ser o House. Mas todo mundo queria ser o House só porque ele é da TV. Nunca no metrô, na padaria, na baia do lado no escritório. No Brasil, ninguém aturaria o House porque no Brasil, relações são boas se são cordiais. Se não forem cordiais, é porque as pessoas não se amam.

E se as pessoas não se amam, as relações interpessoais não são boas. Significa também que as pessoas se odeiam.

Pode ser também que as pessoas acham que você só tá lendo o livro do Laurie porque acha que o Laurie é o House fora da TV. E que o Lang é o House. E nisso elas acertam. Você sabia disso, sabia que Laurie, Lang e House são três pessoas totalmente diferente. Mas as pessoas já acertaram, pelo menos nisso.


29 de ago. de 2008

Fico imaginando

Fico imaginando quão bom tem que ser o transporte público para incentivar as pessoas a utilizá-lo. Fico imaginando se a agenda – leia-se “noticiário” – vai ser programada para que a população veja o transporte público como bom e não como “lotado, péssimo”, por melhor que seja.

Minhas observações não têm valor estatístico. Mas, bom, acredito (e temo) que os carros continuarão a ser a preferência da população, pensando “vou votar nesse fulano porque ele vai arrumar o transporte público, aí um monte de gente vai andar de ônibus e eu vou poder andar de carro sem trânsito”.

Aí pode vir Deus em pessoa. A gente vai continuar indo, aos engarrafamentos, direto pro inferno.

18 de ago. de 2008

Vida de gado

Essa é para a Elzinha.

Elzinha dizia que a Luz tinha brete de gados. Não viu as últimas cercas que instalaram lá. Fico imaginando se alguém, horário de pico, desiste e tenta voltar.

14 de ago. de 2008

Da série de aniversários.

Há um ano.

29 de mai. de 2008

Preciosa ironia

A ironia move o mundo.

Há um tempo a CPTM mudou de cores para nomes de gemas os epítetos de suas linhas. Aí já chega a ser maldade, diz uma colega jornalista.

31 de jan. de 2008

Sobre o aumento do transporte estadual metropolitano

A passagem custa 2 pilas e 30. Ela vale isso? Imagino que a resposta preponderante será sonora e enfaticamente n-ã-o. Se já não vale 2,30 reals, porque em nome de Merlin reclamar que não vale 2,40 graus centígrados também?

Ah, Brito, porque não devia subir, mas baixar.

Já eu acho que a passagem de metrô devia custar o suficiente pra pagar aulas pra cada cidadão filho de uma prostituta manca que se planta na porta dos trens e também dos que forçam a entrada.

Acho também que a passagem de trem metropolitano não seria cara se pagasse professores de etiqueta simples e elementar pra ensinar aos desabonados de bom senso e de uma mãe boa pessoa que jogam lixo pelas janelas do trem, entre outras atitudes execráveis.

Como disse Thiago Kishita, minha casa não enche quando chove - completo: nem meu caminho para o trabalho -, nem por isso eu faço isso. E a sua?!

16 de jan. de 2008

Motos

...pra levar um documento rápido, sua pizza quentinha à noite, tem moto.

Ivo Patarra, completando que, se cada moto da cidade fosse um carro, ninguém andava. O chefe corrobora minha opinião de que todo mundo quer que motoqueiro se ferre mas quer a “pizza quenteinha à noite”.

Mas de noite, o trânsito e menor, não creio que as motos são um problema.

O argumento contrário é que motoqueiro andando entre faixas é errado - julgo que sim, apesar de não ser proibido (segundo o senhor Patarra) - que os motoqueiros não dão a mínima pras regras de trânsito e ainda por cima são “premiados” com uma faixa exclusiva.

25 de jul. de 2007

Ratinho

Estação Vila Clarice da CPTM, terça-feira, duas e pouco da tarde. A manhã chuvosa dava lugar a um nesga de sol que duraria pouco, mas o chão da plataforma estava seco.

E a grade, derrubada ao chão há muito - muito mesmo. Vislumbro uma pequena movimentação e descubro um ratinho. Uns cinco centímetros de cumprimento, a cauda com mais dez. Ele vem aos poucos e acha uma sacola plástica. Cinza e grossa. Bebe da água acumulada, fuça mais e encontra um lugar para ficar parado.

Observo o bicho por uns cinco minutos a fio. Primeiro agacho, depois sento. Ele não se mexe. Parece que está bebendo água, mas não. Fico intrigado com o que estaria fazendo encolhido em cima da sacola. Talvez se achasse camuflado - cinza com o a sacola, a despeito de pequenas manchas mais amarronzadas ou esbranquiçadas. Meu amigo, então, acorda - concluo então que dormia. Olha em volta, volta fuçar.

Quando eu chegara, dois ambulantes tinham atravessado a linha àquela altura da estação. Eles e outros dois conversavam do outro lado. Então os crápulas atravessam de volta, espantam meu amigo.

Um deles ainda pula na grama e tenta pisar no rato. Ele esconde a blusa na mato, conversam mais e o trem chega, quase imediatamente. Se não estivesse atrasado, não tomaria o trem e ia pisar na blusa dele como ele tentou pisar no meu amigo sujo.