Mostrando postagens com marcador de jornal et jornalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador de jornal et jornalismo. Mostrar todas as postagens

28 de mai. de 2010

Detalhe de charge


Desenho em andamento...

17 de fev. de 2009

De "O que Michael Phelps deveria ter dito"

Como apreciador da ironia, do sarcasmo e da argumentação ácida, trago, apesar de não concordar com o que diz, o texto de um tal Reason.com de O que o Phelps deveria ter dito (de 2/2) quando o pegaram fumando unzinho.

Querida América

Eu respondo. Não me desculpo.

Sabem por quê? Não é da merda da sua conta. Eu malho minha bunda 10 meses por ano. É esse trabalho duro que lhes deu todos aqueles sentimentos de patriotismo no verão passado. Se durante meu breve tempo de descanso eu quero relaxar, curtir, e usar uma substância que é muito menos ruim para mim que álcool, tabaco, ou, francamente, a maioria dos medicamentos prescritos que a maioria de vocês está tomando, vocês podem guardar o sermão pra vocês.

Eu passo por um inferno. Faço meu corpo realizar ocisas que a natureza nunca quis que aguentássemos. Todos atletas de ponta o fazem. Fazemos porque vocês amam assistir nós nos colocarmos nos extremos tanto quando pudermos. Alguns de nós se machucam. Algumas vezes permanentemente. Vocês estão assistindo o Super Bowl hoje. Estão vendo caras de 130 quilos trombarem uns com os outros enquanto correm no máximo, todo empacotados. Sabem qual é a expectativa de vida média de um jogador da Liga Nacional de Football? 55. 20 anos a menos que a média de um jogador de fora da Liga. Ainda assim vocês assietem. E torcem. E pulam e cospem a cerveja quando um linebacker derruba um receptor cruzando seu caminho no meio do campo. Quanto mais forte a pancada, mais alto e entusiasticamente vocês gritam.

Ainda assim vocês surtam quando Ricky Williams, ou eu, ou Josh Howard fumam entorpecente pra relaxar. Por quê? Porque os idiotas que elegeram para fazer suas leis, sem uma neca de provas, enfiaram nas suas cabeças que fumar machonha é algo como beber anti-congelante e que é feito só por hippies sujos e molestadores sexuais.

Perdoem meu cinismo. Isso é abobrinha. Vocês não estão nem aí para a minha saúde. Só têm uma emoção voyerística assistindo atletas de elite cair das graças -- um tanto melhor se puderem exercitar um pouco de retidão moral no processo. E é uma retidão hopócrita nesse ponto, já que 40% de vocês já experimentaram maconha pelo menos uma vez na vida.

Uma ideia louca: se eu posso fumar entorpecente e ganhar 14 medalhas olímpicas, talvez maconheiros não estejam fadados a arruinar suas vidas em sofás e videogames, como o governo mané nos faz acreditar. Na verdade, a lista de maconheiros de sucesso inclui atletas de ponta como eu, Howard, Williams, e outros, inclui ganhadores do Prêmio Nobel, Prêmio Pulitzer, os três últimos presidentes dos Estados Unidos, juízes do Supremo Tribunal, mentes iluminadas e histórias de sucesso em todos setores dos negócios e das artes, ciência e humanidades.

Vão em frente, então. Banam-me das próximas Olimpíadas. Chutem minha argumentação. Empinem seus narizes coletivos e fiquem indignados comigo. Enquanto fazem isso, continuem prendendo pacientes de cancêr e aids que ousam fumar o negócio porque diminui a dor, ou os permite comer. Continuem mandando esquadrões chutarem portas e atirarem em velhinhas, mutilando criancinhas inocentes, apontando armas para algemar velhos pacientes de polio em suas camas, e sacrifiquem o animalzinho da família.

Vou falar. Vou entrar em acordo. Peço desculpas por fumar maconha quando cada político que já usou drogas e que votou por reforçar as leis anti-drogas levar seu traseiro até a prisão federal mais próxima para cumprir a sentença que impõe no resto das pessoas pelos crimes que eles mesmos cometeram. Peço desculpas quando os filhos, filhas e sobrinhos dos políticos poderosos pegos por posse ou tráfico em casa ou na escolinha tenham a mesmo tratamento dos pé-rapados pegos na esquina fazendo a mesma coisa.

Até lá, eu sozinho não faço isso. Fumei maconha. Gostei. Provável que faça de novo. Recuso-me a desculpar-me por isso, porque me desculpando ajudo a perpetuar uma mentira estúpida, essa ideia que o que alguém põe no próprio corpo no seu próprio tempo é da merda da conta do governo. Ou de qualquer um de vocês. Eu não vou me curvar e me permitir ser propaganda dessa guerra ridícula e imoral.

Vá em frente e acabem comigo se quiserem. Mas vamos ver vocês racionalizarem isso no seu próximo comercialzinho do Escritório Nacional de Políticas de Controle de Drogas como o maior filha-da-puta de nadador que o mundo jamais viu... é também um maconheiro orgulhoso.

Michael Phelps

2 de set. de 2008

Há anos

Faz anos que esse link tá assim. Viva a universidade pública...

b.f.

Charge de Brian Fairrington. Vale só pelo traço dele, porque a charge em si não é digna de menção, apesar de boa.

1 de set. de 2008

Charge



E como uma charge, não funciona sem o contexto específico -- que devo acrescentar assim que possível.

O lance é que o Jornal do Campus deve publicar em breve texto sobre o desperdício de copos nos bandexes.

spc: Charges boas mesmo são atemporais, porque trabalham com fatos históricos que são conhecidos por todos mesmo muito tempo depois.

Rola-bostas são os melhores pais entre os insetos.


Seguindo o Plantão Animal do Galinhópolis Urgente!

Vi na Discovery (Baby Bugs Bully, trago o título porque achei excelente) que até entre os insetos há bullying. As larvas e ninfas descobriram que conseguem chamar atenção dos pais para proteção e comida. E os pais, coitados, ainda não conseguem controlar a resposta.
Ou seja, não é comunicação, é manipulação. O estímulo da ninhada pode ser verdadeiro (eles estão mesmo com fome), ou falso (a larvinha quer mesmo que que seus irmãozinhos vão direto pro inferno dos artrópodes). Esse é o bullying.

A mesma pesquisa diz que os melhores pais são os rola-bostas -- porque precisam sempre manter uma provisão “fresquinha” de comida para as quiança...

O melhor: os estudos querem descobrir a origem evolutiva da manipulação e do bullying. Muito bom. Mas não sei se a melhor aplicação disso é para descobrir a origem do assédio moral (termo esse que, assim como neurose, precedeu na maioria dos casos a existência da patologia e dos sintomas).

Por último mas não menos importante, a linda foto da earwig (tesourinha) européia e seus filinhos.

29 de ago. de 2008

Piadinha da Folha

Não encaro com seriedade o fato de a Folha ter incluído uma mensagen cifrada a respeito de uma licitação do Metrô. É uma piada. Ou uma notícia fabricada. Não sei qual é pior.

Ah, sim: mensagem cifrada não é subliminar.

Piadinha da Folha sobre licitação do metrô, com resultado “antecipado” mascarado dentro de um texto de ópera.

Fico imaginando

Fico imaginando quão bom tem que ser o transporte público para incentivar as pessoas a utilizá-lo. Fico imaginando se a agenda – leia-se “noticiário” – vai ser programada para que a população veja o transporte público como bom e não como “lotado, péssimo”, por melhor que seja.

Minhas observações não têm valor estatístico. Mas, bom, acredito (e temo) que os carros continuarão a ser a preferência da população, pensando “vou votar nesse fulano porque ele vai arrumar o transporte público, aí um monte de gente vai andar de ônibus e eu vou poder andar de carro sem trânsito”.

Aí pode vir Deus em pessoa. A gente vai continuar indo, aos engarrafamentos, direto pro inferno.

28 de ago. de 2008

Introdução e objetivo

Introdução e objetivo do meu trabalho de conclusão de curso:

Faço esse trabalho com objetivo de me formar e essa é a única justificativa que ele tem.

“A mídia eufemista”

MODISMOS LINGÜÍSTICOS
A mídia eufemista
Por Romildo Guerrante em 26/8/2008, no Observatório da Imprensa.

Bandidos geralmente atiram na cabeça, no peito e na barriga de suas vítimas, preferencialmente, com a clara intenção de matar. Ultimamente, pelo que leio nos jornais, eles passaram a “efetuar disparos” no “crânio”, no “tórax” e no “abdômen” de suas vítimas. Que nem morrem mais: ou “falecem” ou “entram em óbito”, segundo dizem os PMs que dão essa trágica informação aos repórteres. E tratam de passar a novidade rapidamente aos seus ávidos ouvintes, leitores e telespectadores.

Sumiram do noticiário, em questão de poucos anos, os parentes das vítimas, substituídos por alguns “familiares”, que devem ser pessoas de rostos conhecidos, mas não propriamente parentes, pois estes foram definitivamente sepultados no linguajar do jornalismo “muderno”. Ninguém mais faz nada, “realiza” simplesmente. Tadinho do verbo “fazer”, vinha cumprindo tão bem o seu papel, mas, infelizmente, todos se cansaram dele.

Ninguém discute este ou aquele assunto, mas “sobre” este ou aquele assunto. Ou “a respeito de”, como se diz nas dublagens dos filmes do TV, hoje assimiladas pelas novelas e irremediavelmente condenadas ao sucesso. Aliás (já substituído por “inclusive”), ninguém pede socorro nas situações de aflição, pede-se que alguém as ajude. Já disse aqui em casa mais de uma vez: não pretendo socorrer quem diz “alguém me ajude, por favor”, como se diz nos filmes dublados. Só ajudo se gritar “socorro”. E bem alto. Não sei como viver numa sociedade que não dá nome correto às coisas, numa sociedade em que o eufemismo prevalece sobre a informação.

Um inglês que envergonha a Inglaterra

A quantos me queixo das mudanças ouço que não devo resistir a essa tal modernidade e que a língua tem um dinamismo natural. Hoje se diz de uma forma, amanhã, de outra. Claro, eu estudei lingüística, mas não me convenci. À noite, geralmente, depois do bombardeio midiático de esquisitices, fico pensando por que a mídia eletrônica, por exemplo, que alcança 40 milhões de pessoas simultaneamente com apenas um jornal noturno, não contrata um profissional que saiba escrever em português. Em vez disso, põe lá na maquininha de fazer títulos um estagiário que, embora começando a carreira, fala inglês corretamente (o que lhe foi exigido na prova de ingresso), mas que nada lê em português.

Já veio assim da faculdade, não gosta de ler, escreve erradamente e ri quando lhe dizem que a palavra está grafada erroneamente. São esses os grandes agentes das mudanças lingüísticas no meu país, infelizmente. Numa penada, mudam à deriva da língua e a atiram na vala comum das bobagens universais, dos europantos claudicantes e do inglês “profissional” que dá vergonha à Inglaterra.

Saraivada de idiotices

Pois são essas pessoas que, por exemplo, situam o protocolo das ações judiciais “junto a” algum órgão, e não no próprio órgão onde deveriam entrar, ou seja, ao lado do local onde deveriam entrar. Fico atônito quando dizem que a ação vai ser impetrada (êta, juridiquês danado!) “junto ao” Supremo Tribunal Federal porque não sei o que fica ao lado do STF. Seria o Itamaraty?

Dizem que o Brasil “possui 180 milhões” de habitantes (como se deles tivesse a escritura de posse), que o tarado “violentou sexualmente” sua vítima, que o veículo “colidiu contra” o muro e que a pessoa muito ferida que está no hospital “não corre risco de morte”.

Enquanto isso, na página de correções, que o ouvidor impôs ao jornal com grandes dificuldades, registra-se a digitação errada de um termo verbal. Nem uma linha sobre a saraivada de idiotices que se espalha pelas páginas como se fosse um tiro de espingarda calibre 12, que, mesmo sem pontaria, é capaz de fazer um cego acertar numa mosca.

19 de ago. de 2008

Da ingenuidade


Sempre falo por aí que as palavras têm o valor que dermos para elas. Pelo que eu venho estudando de representações sociais, isso acontece no patamar das comunidade. As gírias são um belo exemplo disso. Termos como “medíocre” e “famigerado” (esta no belo conto homônimo de Guimarães Rosa) também.

Mas o jornalista, como formador de opinião, tem que tomar muito cuidado com isso.

Não são tão raros assim casos de pessoas que acham grandes quantidades de dinheiro e devolvem. Isso não devia ser notícia, mas é. No SP TV do almoço a Globo soltou uma matéria de um jovem que deixa 100 paus caírem do bolso. As câmeras filmaram tudo. Instantes depois um menino abaixa, pega a Garoupa, entrega para o guarda e este, ato contínuo também, entrega para o caixa. A grana vai parar nos achados e perdidos.

Boa notícia. Mas aí a Carla Vilhena*, comentando, diz “se não fosse pela ingenuidade do menino, o homem teria perdido seu dinheiro”, ao que se segue um tiozinho pé-rapado que confirma que não hesitaria em embolsar a grana.

Não fala isso, mulher! “Ingenuidade” tem um valor muito negativo. Tá quase ali com “otário”, “mané”. Aí o garotinho, em vez de herói, vira bobo. Má escolha de termo.

Fica a dúvida. E você? 100 paus dando sopa? Você não sabe que o cara que perdeu (e não sabe) tá ali a 3 metros. O que faria? Eu prefiro não comentar...

* - no post original era “Scaranzi”. Que gafe...

18 de ago. de 2008

Dá série de aniversários.

Há 4 anos
.

3 de jan. de 2008

A manchete principal do Jornal Nacional da última terça-feira foi “Fogos de artifício iluminam os céus do mundo”.

É a absoluta e total falta de notícias. Ano novo tem todo ano. Exemplo semelhante foi, divulgado em dois outros jornais (um, o da Bandeirantes), a doação de órgãos, autorizada pela família, do sujeito que caio morto baleado pelo idiota-fiotão-menor-de-idade que assaltou um bando de turistas em São Sebastião, tropeçou e fez fogo.

Galinhópolis Urgente! colunismo social:

Vou comemorar meu primeiro salário* com um estrogonve no Shopping Light, em instantes. Que decadência...

* - bolsa de estágio não conta, não é renda e não tem descontos.

11 de out. de 2007

Da campanha das sacolas

Hoje duas moças da biologia apareceram no Departamento de Jornalismo para pesquisar, junto aos futuros periodistas, sobre seus hábitos alimentares/ecologicos/de transporte.

Aí tem aquelas perguntas sobre se o que você come é preparado/embalado/importado. Não tanto pelo importado, mais pelo embalado mesmo, mas chega a metade do que ingiro. E sobre o lixo, então? Está vossa mercê consciente de que produz lixo pra caramba?

E o pior? Responder tudo sabendo que sabia que poderia eu fazer diferente e não ter remorso algum. Estamos nos condenando a todos. Saber que está agindo errado é pior que agir errado. Fico feliz que o planeta sobreviverá, como sabiamente previu Ian Malcolm, teorista fictício do caos.

E eu cada dia caminho mais direto pro inferno.

Indulgência:
Reduzir, reutilizar, reciclar.
Coitado do pessoal lá de casa...
Comida natural já é demais... (preço, I mean).

E o 4º ano?

As moças disseram que encontraram três pessoas do 4º ano de jornalismo, quinta-feira, véspera de feriado, em plena ECA. Quem eram, inquiro.

2 de ago. de 2007

Pergunda idiota

Pergunta que venho me fazendo há 3 anos e meio e só agora consigo verbalizar:

Por que todo mundo que se julga/autoclassifica cinéfilo vai fazer jornalismo?

30 de mai. de 2007

Spartans, what's your profession?!

Não gosto de ler jornal, não gosto de ler revista, não gosto de entrevistar pessoas, não gosto de correr atrás de pessoas pra entrevistar, não gosto de fazer jornal, não gosto de fazer revista, não gosto de editar coisas para por no site.

Nem adianta mais me perguntar o que raios tou fazendo aqui.

Quem detém informação não passa de graça. Há sempre algum custo.

Antigamente, os detentores das técnicas de reportagem (no sentido de "ato de reportar") reportavam as informações, porque era o único jeito que os detentores de informação encontravam.

Ou os detentores das técnicas, ou os detendores dos contatos dos detentores de informação, reportavam, pelo que soube (como uma outra vertente da afirmação anterior).

Hoje quem detém a informação que reporta. Reporta ou não. Se quem detém a informação não reportar, ninguém o faz. Ora, tecnicamente, quem detém a informação sempre reportou (no sentido de que ele só passa informação ao repórter se é de seu (do sabedor) interesse que ela seja informada). A mudança é que hoje em dia não é necessário ser detentor de técnica de reportagem tampouco detentor de contatos de detentores de informação.

Jornalismo colaborativo, dizem. Mais uma morte para os jornalismo. Eu não gosto nem desgosto de tudo isso.

Só não gosto de ler jornal, de ler revista....

23 de mai. de 2007

Virada Cultural

A Virada Cultural, que seria os shows grátis de Karnak e Pato Fu até eu cair nessa história de 24 horas, começou para mim sexta-feira à noite, na cerimônia oficial de abertura ocorrida no hall da prefeitura. Esperava a última enfadonha hora antes de ir embora do estágio quando a chefia chamou todo mundo para descer e acompanhar o espetáculo de dança. Gilberto Dimenstein, Ruth Cardoso e o dono da companhia, Ivaldo Bertazzo viram o grupo, ao som de músicas egípcias, fazerem o trenzinho de carnaval mais sincronizado que já vira – Samwaad II. Nos entregaram colheres de pau e Ivaldo ensinou como usá-las para fazer ressonar as partes do corpo. “Essa colher não deve sair da sua mesa de trabalho.”[i]

Saí tarde, dormi tarde, acordei tarde. Tomei café, comprei o ASA 400 e tentei dormir de novo. Acordei atrasado, tomei banho, estourei uma panela enorme de pipoca, engoli o almoço (às cinco da tarde) e corri pro metrô, tênis velho, duas garrafas d’água, bolachas, documento e caneta – tudo ali. Desci na lotada às 18h. O vento vinha da superfície e espalhava por todo lado os panfletos da Virada. Com um boné do Mickey e uma joaninha na camiseta, parecia uma criança me esperando a Natália.

O público do Alceu Valença, que já ia na segunda ou terceira canção, eram quem esperava pelos show seguintes: reggaeiros do Andrew Are you feelin’? Tosh e da Nação Zumbi e os rappers dos Racionais, mas não só isso. A gente rodou pelo público, até encontrar um engraxate. Merecia a primeira foto. A Natália se postou ao lado do cara e eu, fingindo que a fotografava, clicaria o engraxate. Quando o cliente se virou, baixei a câmera e saiu o flash. Obviamente, o cara sentado, cigarro e copo na mão, percebeu, acenou e gritou para mim. Fiz que não vi e corri dali. As pessoas bolavam seus primeiros baseados da noite sem ressentimento, ao som de Tu vens, La belle de jour e o “mandacaru quando flu-o-ra na seca...” de Luiz Gonzaga.”[iv].

Nos afastamos antes do fim do show para evitar a multidão. Atrás do público, uma fanfarra sexagenária desfilava fantasiada. Não sei como o tocador de tuba ficava em pé sob aquele trambolho. Dali fomos pela Direita até o vale do Anhangabaú, quase se perdendo no meio da fumaça da tenda de Psy. O movimento era o mesmo de um dia de semana normal, inclusive pelas lojas abertas. Mas eram quase oito da noite, sábado, e ninguém tinha pressa ou medo. A praça do Patriarca estava clara sob várias luzes. Uma dupla de pintores criava um painel daqueles do Castelo Ratimbum, que mostrava muito acelerado o pintor da parede branca ao trabalho final. Desistimos de ver as coisas em tempo real.

A gente sabia que havia um palco de dança no vale, mas achamos por instantes que era ali que a tal Trupe do Teatro Mágico ia tocar. Não, a procissão seguia para o Boulevard São João. Conseguimos um cantinho para sentar e esperar, na frente de uma barbearia. Os fãs fantasiados começaram a chegar, continuaram chegando e, bem, não pararam de chegar. Os artistas[ii] surgiram, liberaram mais uma vez suas músicas para quem quisesse baixar na Internet e mostraram os locais onde eram vendidos os discos “com preço de CD pirata!”: cincão. Eles tocaram Tudo é uma coisa só e depois Pratodia, com a inusitada e ruim comparação você é arroz eu sou feijão.

E, ah, não parava de chegar gente.

Quarenta mil pessoas, eles disseram depois. A gente começou a ser esmagado contra a parede e aquela auto-ajuda adolescente laica não valia a pena. Por sorte, um fluxo de gente que também parecia ter se decepcionado com a trupe deixava o Boulevard, e nos infiltramos no meio deles. Uma vez no corredor, não havia muita escolha, andar ou ser pisoteado. Usei o velho truque dos cotovelos que mamãe me ensinou para evitar que me machucasse ou à Natália. Os policiais, nos cantos, riam e tiravam fotos da multidão numa bela demonstração de serviço. Fomos expelidos no Vale depois de maus bocados, praguejando contra o Teatro Mágico – nem de graça – e subimos para o Teatro Municipal. A fila circulava o prédio, não uma mera fila indiana, uma fila de grupos numerosos de pessoas. Sem chance, o riscamos da lista. A entrada lateral estava aberta, dando acesso ao bar e a um oásis de mesinhas e cadeiras confortáveis. Sentamos ali e traçamos as batatinhas da Natália, para enganar o estômago.

Antes das nove, seguimos pela Barão de Itapetininga até a perto do palco, depois a esquerda na Dom José de Barros e atingimos a praça da República pela 7 de abril. Eu não queria passar pelos caminhos escuros e estava voltando, mas um grupo vinha de trás da gente e irrompeu praça adentro, possibilitando que os seguíssemos. O teatro circular já estava lotado e nos apertamos em uma das entradas para ver A melhor fatia ou O que Doroti quer. Haviam sido montadas arquibancadas circulando a cena. Outras pessoas encostaram-se atrás da gente tentando ver. Um jovem se perguntava o que estava acontecendo ali e eu lhe falei o nome da peça.

Atrás de nos, trepado na imensa árvore que um canteirinho encerrava, um outro adolescente, aparentemente bastante alegre em virtude do que tinha bebido, explicava para seus comparsas aqui embaixo o que ele via. Surgiu então, no pé da árvore, uma aparição bizarra. Roupas coloridas, serenidade nordestina e um cabelo branco como neve cumprido e cônico até os ombros e além, todo ondulado. Natália muniu-se da máquina e a gente fantasiou outra pose. A figura pareceu não perceber. Nos bastidores do teatro, um sujeito toma o microfone e com sotaque carioca anuncia a peça. Três garotas, o mesmo vestidinho e os sapatinhos mágicos, representam Doroti – três Dorotis.

O espetáculo circula em torno da crise de identidade das três, que hora reclamam o ser a menina, ora, acusam as outras de o serem, tentando se livrar do estigma. A trilha sonora, Somewhere over the rainbow, toca duas vezes, em versão normal e punk rock. Mas eu não entendi muita coisa, porque o falatório das gralhas – agora era mais de um moleque – em cima da árvore não deixava espaço para muita coisa. Além disso, um distinto senhor na minha frente insistia em fazer piadas sem graça e comemorar cada vez que alguma outra parte do corpo das atrizes aparecia. Um cara na arquibancada desiste, por causa do pessoal gritando atrás da gente, então a Natália consegue uma beira para sentar e eu, para me encostar.

Terminada a peça, o cara das piadas, se vira com cara de bravo. “Vou tomar uma cachaça”, cospe ele, empurra várias pessoas e sai correndo. Dali corremos para o palco da Barão, onde Serguei, o Divino do Rock, batia novos recordes de idade. Ele terminou com Born to be wild e With a little help from my friends, na versão woodstockiana do Joe Cocker. Quando chegamos, a média de idade do público diminuiu bastante, mas mal pudemos ver o Divino. Saímos dali para a rua 24 de maio, rumo ao Teatro Municipal. Na José de Barros há uma churrascaria gaúcha. Ironicamente, cruzamos com dois amigos, um com a camisa do Internacional, o outro, com a do Grêmio.

tsuzuku...

notas:
[i] Ótima idéia, claro, mas a colher foi para a gaveta da cozinha.
[ii] E eles personificam bem essa palavra...
[iv] No original Dominguinhos erroneamente.

2 de abr. de 2007

Domingo de Ramos

Tentando não ir direto pro inferno

Sentado no último lugar da direita do último banco da direita na Imaculada Conceição na missa do Domingo de Ramos, na hora da Paz Brito se estica para cumprimentar uma mulher que estava sentada em posição alela no banco imediatamente à esquerda. Ela abre um enorme sorriso e ele a reconhece, apesar do cabelo todo encaracolado e comprido até os ombros.

Eu sou a Pat-pat*, diz. Eu sei! consegue responder.

Coisa de 1º de abril

* - professora de Deontologia e Legislação, no primeiro semestre da faculdade (2004).