Tenho lido trechos espalhados de Byron vertidos para o português no meu Bulfinch (O livro de outro da mitologia).
Aí peguei Into the wild pra ver e, bom, a primeira coisa do filme é uma citação de Byron. Mas tava no original, aí perdi um tempinho traduzindo e vertendo:
Prazer nos bosques que vias não têm
Há, qual um êxtase na costa vazia
Há companhia onde não vem ninguém e
Há Canção rugindo funda a maresia.
Não é que ame eu pouco o homem,
Mas a Natureza amo em demasia.
Não sei se vai contra os cânones da tradução de poesia mudar o número de versos, mas tá de madrugada e eu não tô a fim de procurar 1. como fazer "natureza", "homem" e "amo" se encaixarem, com os devidos conectores, num decassílabo e 2. se é muito feio mudar o número de versos numa tradução poética.
O original de Lord Byron:
There is a pleasure in the pathless woods;
There is a rapture on the lonely shore;
There is society, where none intrudes,
By the deep sea, and music in its roar;
I love not man the less, but Nature more...
A tradução é:
Há um prazer nos bosques sem caminhos; há um êxtase na costa solitária; há companhia onde ninguém invade, perto do mar profundo, e há música no seu rugido. Não amo menos o homem, mas mais a Natureza...
Eu traduziria usando esse último verso com a construção que pus na versão (não é que ame menos o homem, mas amo mais a natureza), assim, repetindo o verbo (em vozes diferentes), mas como já tinha colocado lá, optei por uma nova. É importante ressaltar, portanto, que seja frisada a oposição entre menos e mais. Ou "não amo pouco o homem, mas muito a natureza". Ou que fique bem claro que Lord Byron não ama o homem menos que merece, e que o que ele realmente quer dizer com tudo isso é que mais do que o merecido é a forma como ele ama a natureza.
12 de abr. de 2010
Traduzindo Byron
subsignatus Brito @ 01:51
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4 de fev. de 2009
Do significado do nome do blog
O que significa “Quid est veritas”?
Veja aqui. É latim para “O que é a verdade?”.
subsignatus Brito @ 11:48
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17 de dez. de 2008
Dos pés
Felt like that.
It's a dangerous business, Frodo, going out your door. You step onto the road, and if you don't keep your feet, there's no knowing where you might be swept off to.
subsignatus Brito @ 11:23
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5 de dez. de 2008
De alhos e affairs
subsignatus Brito @ 09:54
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27 de nov. de 2008
De Neo & Trinity
A única coisa que consegui achar dessa semana nos meus arquivos:
26/11/2003, depois de voltar de Brasília. Também foi uma quarta-feira, só não foi ano bissexto, claro:
Ah! Me ajudem,
não me deixem concordar comigo mesmo nesse ponto! O romance move o filme, o
romance é necessário!
subsignatus Brito @ 18:20
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4 de ago. de 2008
Guimarães Rosa
Dessas conclusões engraçadas da vida...
É difícil agradar alguém que tem a 2ª edição de Sagarana.
subsignatus Brito @ 17:53
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12 de nov. de 2007
Ironia etimológica...
...geek.
O Lewis & Short atesta que serius tem raiz, por seurius, em seuerus. Lembrando que não havia v mas u consonantal - que virou v (ex. sevrius e severus).
subsignatus Brito @ 15:53
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16 de out. de 2007
Ab Hugh Hefner
De uma entrevista de Hugh Hefner para... Playboy (?) em 1973, apud Gay Talese, A mulher do próximo (tradução A. B. Pinheiro Lemos):
O homem é o único animal capaz de controlar o seu meio-ambiente.
Belo começo. Omito agora um trecho que colocarei depois.
O homem que tem um emprego no centro da cidade e uma casa numa comunidade da periferia está perdendo duas ou três horas por dia simplesmente se deslocando fisicamente do lugar em que mora para o lugar onde trabalha e voltando.
E isso foi em 1973. Mas é preciso lembrar que as comunidades suburbanas nos EUA, diferentemente do Brasil, são habitadas pela classe média (como acontece, por exemplo, em Brasília, nos bairros riquíssimos). No Brasil, os subúrbios são favelas, geralmente.
Depois, ele gasta tempo e energia ao sair para almoçar num restaurante apinhado, onde provavelmente será tratado de maneira apressada e impessoal. Está levando a vida de acordo com uma noção pré-concebida, certamente não a de sua própria criação, do que deve ser uma rotina diária.
Foi 34 anos atrás... A gente não aprendeu ainda? Retomemos do começo:
O homem é o único animal capaz de controlar o seu meio-ambiente. O que eu criei é um mundo particular que me permite levar a vida sem muito tempo e movimentos desperdiçados, que consomem uma grande parte das vidas da maioria das pessoas. O homem que tem um emprego no centro da cidade e uma casa numa comunidade da periferia está perdendo duas ou três horas por dia simplesmente se deslocando fisicamente do lugar em que mora para o lugar onde trabalha e voltando. Depois, ele gasta tempo e energia ao sair para almoçar num restaurante apinhado, onde provavelmente será tratado de maneira apressada e impessoal. Está levando a vida de acordo com uma noção pré-concebida, certamente não a de sua própria criação, do que deve ser uma rotina diária.
Ele vai explicar ainda o que é esse mundo particular – que lhe custou sérios milhões de dólares ganhos vendendo foto de mulher nua – com as quais geralmente ele se deitava. Aqui o próprio Gay omite um trecho e continua:
... Os detalhes dos regimes da maioria das pessoas são determinados pelo relógio. Tomam o café da manhã, almoçam e jantam geralmente nos horários fixados pelo costume social. Trabalham durante o dia e dormem à noite.
O homem é um animal de hábitos. Isso é saudável, o fato de ter hábitos. Principalmente alimentícios de sono. Seu sistema digestório agradece. E não só ele. Isso tudo fica potencializado se você tem problemas gástricos – provavelmente causados pelo stress de uma vida desregrada em um círculo vicioso frio e calculista repleto de elos de ligação.
Mas, na mansão, a hora do dia é literalmente, a que se deseja que seja... Uma das maiores fontes de frustração na sociedade contemporânea é o fato de as pessoas se sentirem impotentes, não apenas em relação ao que acontece no mundo ao seu redor, mas também em influenciar o que acontece em suas próprias vidas. Pois eu não sinto essa frustração, já que assumi o controle de minha vida.
A tal mansão é a mansão que Hefner coomprou e reformou, enchendo de coelinhas ("bunnies") e jogos de pinball em Chicago. Espremendo o cara, crie seus próprios hábitos, independentes de os dos outros, mas tenha hábitos.
Considerações finais: Não li muito depois, mas pra terminar provando que isso tudo é um monte de balela de playboy riquinho e que homem não presta: Hugh Hefner tinha então duas namoradas, Barbi em Los Angeles e Karen em sua cidade, Chicago. Ele diz pra Karen que termina com Barbi e, no outro dia, Karen o ouvi falando ao telefone com a outra, marcando um fim de semana em Aspen. Ela foge, e Hugh Hefner, um bebê contrariado, move seus milhões para encontrá-la...
subsignatus Brito @ 17:18
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13 de set. de 2007
De Porora
Escrevo prestes a chegarm e Porora vindo da diretamente da Torre Branca de Ecthelion.
E, bom, conclui que a JK, nos primórdios, fazia histórias com mensagens. Depois a coisa virou grana mesmo - nem por isso ruim.
Acho que vou acampar nos sopés do Menaltarma.
subsignatus Brito @ 14:46
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4 de jul. de 2007
Alice
Lewis Caroll, pedófilo de mão cheia, publicou Alice no País das Maravilhas aos quatro de julho de 1865.
subsignatus Brito @ 16:21
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23 de mai. de 2007
Virada Cultural
A Virada Cultural, que seria os shows grátis de Karnak e Pato Fu até eu cair nessa história de 24 horas, começou para mim sexta-feira à noite, na cerimônia oficial de abertura ocorrida no hall da prefeitura. Esperava a última enfadonha hora antes de ir embora do estágio quando a chefia chamou todo mundo para descer e acompanhar o espetáculo de dança. Gilberto Dimenstein, Ruth Cardoso e o dono da companhia, Ivaldo Bertazzo viram o grupo, ao som de músicas egípcias, fazerem o trenzinho de carnaval mais sincronizado que já vira – Samwaad II. Nos entregaram colheres de pau e Ivaldo ensinou como usá-las para fazer ressonar as partes do corpo. “Essa colher não deve sair da sua mesa de trabalho.”[i]
Saí tarde, dormi tarde, acordei tarde. Tomei café, comprei o ASA 400 e tentei dormir de novo. Acordei atrasado, tomei banho, estourei uma panela enorme de pipoca, engoli o almoço (às cinco da tarde) e corri pro metrô, tênis velho, duas garrafas d’água, bolachas, documento e caneta – tudo ali. Desci na Sé lotada às 18h. O vento vinha da superfície e espalhava por todo lado os panfletos da Virada. Com um boné do Mickey e uma joaninha na camiseta, parecia uma criança me esperando a Natália.
O público do Alceu Valença, que já ia na segunda ou terceira canção, eram quem esperava pelos show seguintes: reggaeiros do Andrew Are you feelin’? Tosh e da Nação Zumbi e os rappers dos Racionais, mas não só isso. A gente rodou pelo público, até encontrar um engraxate. Merecia a primeira foto. A Natália se postou ao lado do cara e eu, fingindo que a fotografava, clicaria o engraxate. Quando o cliente se virou, baixei a câmera e saiu o flash. Obviamente, o cara sentado, cigarro e copo na mão, percebeu, acenou e gritou para mim. Fiz que não vi e corri dali. As pessoas bolavam seus primeiros baseados da noite sem ressentimento, ao som de Tu vens, La belle de jour e o “mandacaru quando flu-o-ra na seca...” de Luiz Gonzaga.”[iv].
Nos afastamos antes do fim do show para evitar a multidão. Atrás do público, uma fanfarra sexagenária desfilava fantasiada. Não sei como o tocador de tuba ficava em pé sob aquele trambolho. Dali fomos pela Direita até o vale do Anhangabaú, quase se perdendo no meio da fumaça da tenda de Psy. O movimento era o mesmo de um dia de semana normal, inclusive pelas lojas abertas. Mas eram quase oito da noite, sábado, e ninguém tinha pressa ou medo. A praça do Patriarca estava clara sob várias luzes. Uma dupla de pintores criava um painel daqueles do Castelo Ratimbum, que mostrava muito acelerado o pintor da parede branca ao trabalho final. Desistimos de ver as coisas em tempo real.
A gente sabia que havia um palco de dança no vale, mas achamos por instantes que era ali que a tal Trupe do Teatro Mágico ia tocar. Não, a procissão seguia para o Boulevard São João. Conseguimos um cantinho para sentar e esperar, na frente de uma barbearia. Os fãs fantasiados começaram a chegar, continuaram chegando e, bem, não pararam de chegar. Os artistas[ii] surgiram, liberaram mais uma vez suas músicas para quem quisesse baixar na Internet e mostraram os locais onde eram vendidos os discos “com preço de CD pirata!”: cincão. Eles tocaram Tudo é uma coisa só e depois Pratodia, com a inusitada e ruim comparação você é arroz eu sou feijão.
E, ah, não parava de chegar gente.
Quarenta mil pessoas, eles disseram depois. A gente começou a ser esmagado contra a parede e aquela auto-ajuda adolescente laica não valia a pena. Por sorte, um fluxo de gente que também parecia ter se decepcionado com a trupe deixava o Boulevard, e nos infiltramos no meio deles. Uma vez no corredor, não havia muita escolha, andar ou ser pisoteado. Usei o velho truque dos cotovelos que mamãe me ensinou para evitar que me machucasse ou à Natália. Os policiais, nos cantos, riam e tiravam fotos da multidão numa bela demonstração de serviço. Fomos expelidos no Vale depois de maus bocados, praguejando contra o Teatro Mágico – nem de graça – e subimos para o Teatro Municipal. A fila circulava o prédio, não uma mera fila indiana, uma fila de grupos numerosos de pessoas. Sem chance, o riscamos da lista. A entrada lateral estava aberta, dando acesso ao bar e a um oásis de mesinhas e cadeiras confortáveis. Sentamos ali e traçamos as batatinhas da Natália, para enganar o estômago.
Antes das nove, seguimos pela Barão de Itapetininga até a perto do palco, depois a esquerda na Dom José de Barros e atingimos a praça da República pela 7 de abril. Eu não queria passar pelos caminhos escuros e estava voltando, mas um grupo vinha de trás da gente e irrompeu praça adentro, possibilitando que os seguíssemos. O teatro circular já estava lotado e nos apertamos em uma das entradas para ver A melhor fatia ou O que Doroti quer. Haviam sido montadas arquibancadas circulando a cena. Outras pessoas encostaram-se atrás da gente tentando ver. Um jovem se perguntava o que estava acontecendo ali e eu lhe falei o nome da peça.
Atrás de nos, trepado na imensa árvore que um canteirinho encerrava, um outro adolescente, aparentemente bastante alegre em virtude do que tinha bebido, explicava para seus comparsas aqui embaixo o que ele via. Surgiu então, no pé da árvore, uma aparição bizarra. Roupas coloridas, serenidade nordestina e um cabelo branco como neve cumprido e cônico até os ombros e além, todo ondulado. Natália muniu-se da máquina e a gente fantasiou outra pose. A figura pareceu não perceber. Nos bastidores do teatro, um sujeito toma o microfone e com sotaque carioca anuncia a peça. Três garotas, o mesmo vestidinho e os sapatinhos mágicos, representam Doroti – três Dorotis.
O espetáculo circula em torno da crise de identidade das três, que hora reclamam o ser a menina, ora, acusam as outras de o serem, tentando se livrar do estigma. A trilha sonora, Somewhere over the rainbow, toca duas vezes, em versão normal e punk rock. Mas eu não entendi muita coisa, porque o falatório das gralhas – agora era mais de um moleque – em cima da árvore não deixava espaço para muita coisa. Além disso, um distinto senhor na minha frente insistia em fazer piadas sem graça e comemorar cada vez que alguma outra parte do corpo das atrizes aparecia. Um cara na arquibancada desiste, por causa do pessoal gritando atrás da gente, então a Natália consegue uma beira para sentar e eu, para me encostar.
Terminada a peça, o cara das piadas, se vira com cara de bravo. “Vou tomar uma cachaça”, cospe ele, empurra várias pessoas e sai correndo. Dali corremos para o palco da Barão, onde Serguei, o Divino do Rock, batia novos recordes de idade. Ele terminou com Born to be wild e With a little help from my friends, na versão woodstockiana do Joe Cocker. Quando chegamos, a média de idade do público diminuiu bastante, mas mal pudemos ver o Divino. Saímos dali para a rua 24 de maio, rumo ao Teatro Municipal. Na José de Barros há uma churrascaria gaúcha. Ironicamente, cruzamos com dois amigos, um com a camisa do Internacional, o outro, com a do Grêmio.
tsuzuku...
notas:
[i] Ótima idéia, claro, mas a colher foi para a gaveta da cozinha.
[ii] E eles personificam bem essa palavra...
[iv] No original Dominguinhos erroneamente.
subsignatus Brito @ 22:19
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21 de mar. de 2007
Ruminante ii
Sidnei era, tecnicamente, um ruminante. Passava dias ruminando tudo que acontecia consigo mesmo. Desde as manhãs, no rotineiro acordar cedo, até a noite, quando, depois das suas orações não tão fervorosas quanto esperariam os santos invocados. Pensava tanto nas coisas com que tomava contato que já tinha até desenvolvido uma maneira própria de fazê-lo. É claro que Sidnei não era burro. Sabia que não havia nenhuma maneira ainda inventada ou pelo menos palpável a um mero membro da classe média metropolitana de se colocar na mente dos outros - e sabia também que muita gente dizia que conseguia fazer esse tipo de coisa, mas não dava o menor crédito - e que, portanto, não poderia dizer que seu modo de ruminar era diferente, único, ou até mesmo melhor que de qualquer outra pessoa que esperava o ônibus no ponto com ele, das pessoas com quem falava no trabalho, ou, tanto faz, aqueles mendigos do centro da cidade.
De qualquer forma, era confortável pensar desse jeito. Além disso, pensar era a coisa mais confortável a se fazer, segundo as conclusões que Sidnei insistia em explicar a si mesmo. Não era uma mera válvula de escape como os mais extrovertidos e bem relacionados possam pensar. Não bastasse isso, é fácil concluir por si só, baseado nestes exemplos, que Sidnei não era nem um pouco um sujeito extrovertido tampouco bem relacionado - em termos de quantidade, já que o que importa é a qualidade, como gostava ele de frisar. Sidnei era bancário, tímido e um cara que gostava de ruminar sobre tudo que acontecia. E uma das ruminações que mais empertigava o bancário tímido ruminante era que ele quase nunca fazia o que queria.
Entre sua casa e o banco, Sidnei levava dez minutos até o ponto de ônibus. Quando chegava seu ônibus, mais dez minutos até o ponto mais próximo ao banco, então mais cinco minutos até o bebedouro, onde enchia sua canequinha de água e ia até seu caixa. Pelo menos era o que pensava. Mas nunca conseguiu calcular o tempo exato. Já tentara cronometrar - com o Dumont sem números que ganhara de mamãe - mas sempre se perdia na medição. O trajeto costumava levar não mais que nove minutos até o ponto de ônibus. Seu recorde eram quatro e catorze, em um dia que ele se atrasou com a fechadura de casa, mas ele não sabia disso. O maior tempo que esperou por um ônibus que lhe servisse foi cinqüenta e sete minutos e dezoito segundos, em um dia em que houve várias quebras seguidas. Segundo ele lembra, naquela sexta-feira esperou uma hora e meia - e pode então ruminar toda a semana com cuidado. O percurso do ônibus até o ponto próximo a seu trabalho lhe tomava mais nove minutos e meio, mais ou menos, mas poderia ser feito em sete facilmente se todos motoristas colaborassem. O recorde, três incríveis minutos cravados entre por o primeiro pé e tirar o último no ponto de chegada. Era outra sexta-feira e o dia anterio tinha sido feriado, de forma que a cidade estava vazia. A última etapa do caminho era a mais díspare. Sidnei levava geralmente de sete a dez minutos para chegar ao banco, pegar sua água e sentar-se no seu posto. Sua melhor marca chegava a um minuto, mas nesse dia não pegou água nem parou para ver vitrine nenhuma, nem na banca de jornais. Sidnei, contudo, se lembrava desse dia de maneira diferente, e não gostava de comentar a ocasião.
subsignatus Brito @ 23:57
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20 de mar. de 2007
Urso da montanha pabatoriano I
O urso da montanha pabatoriano tem como habitat natural os confis de Pabatór, muito próximo às tribos canto-espíritas que montam suas cabanas peculiares nas margens do Grande Rio em suas terras ao norte.
Mas ele não morou sempre lá. Pesquisas comprovam que há muito tempo nem pabatoriano ele era. E que o primeiro lugar onde fixou hábitat em Pabatór não foi nas plagas nortescas da reigão, mas próximo ao castelo trentinio e nas proximidades, muito mais ao sul, e muito menos nos confis de pabatorianos.
De qualquer forma, o nome dele prevalesce como urso da montanha pabatoriano, ou simplesmente urso pimpão pabatoriano, e isso nos basta por enquanto.
subsignatus Brito @ 23:50
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